Definir Um Objetivo (2/2)

Eis a segunda parte do artigo Definir Um Objetivo (Podes ver aqui a primeira parte)

 

4. A ecologia do objetivo



 

É agora tempo de veres se o teu objetivo é de facto “ecológico”. Não haverá interesse em prosseguir um projeto, que poderia por exemplo custar-nos a nossa relação de casal, ou até a nossa integridade física, ou qualquer elemento indispensável ao nosso equilíbrio.

Tu é que tens refletir sobre a “ecologia” do teu projeto, se existem obstáculos e se são ou não transponíveis.

 

Vê então como contornar ou até “desarmar” esses obstáculos.

Mesmo não entrando em pormenor na execução de um plano de ação neste artigo, esta etapa constitui no entanto um dos seus fundamentos: uma vez os obstáculos e os apoios identificados, dispões de uma “cartografia” que te vai ajudar a colocares o teu projeto em prática.

Reflete atentamente nos pontos seguintes:

 

  • Quais são os interesses das pessoas implicadas neste objetivo? Estes são respeitados?

  • Haverá consequências negativas para mim? Devo fazer sacrifícios e renunciar a algo, e se sim, estarei eu preparado?

 

  • Haverá consequências negativas para os outros? Se sim será possível poupá-los a essas consequências negativas?

 

  • Tendo em conta o contexto e a ecologia, será realista lançar-me neste projeto?

 

  • A energia investida na realização do objetivo é justificada pelo resultado? Vale a pena a relação custo/proveito dessa mesma energia?

 

  • Terei alguns trunfos para realizar esse objetivo? Terei aliados que me vão ajudar e motivar no processo?

 
O ideal é que o objetivo tenha consequências positivas mais importantes do que as negativas.

É igualmente importante, que todas as pessoas implicadas diretamente, consciente ou inconscientemente no teu projeto, achem benefícios.

No entanto é difícil estarmos sistematicamente num processo de ganhar/ganhar a 100%. Tender para isso é de facto importante! É bom que todo o ambiente seja favorável à realização do projeto. Mas lembra-te sempre!

Esta mudança não irá necessariamente agradar a todos!

És tu quem tem que decidir se o risco te vai bloquear ou não. Deves refletir nas formas de o tornares o mais positivo possível para todos os interlocutores.

Uma simples e clara explicação, ou uma exposição tendo em conta as necessidades das pessoas mais importantes para ti, pode ser-te bastante vantajoso e assegurar o teu sucesso!

O sucesso usa sempre sempre o caminho do trabalho!

 

5. Medir os resultados

Saber exatamente o que se quer é ótimo. Mas como sabemos com precisão, que obtivemos o que queríamos?

É por esta razão que devemos determinar os critérios internos (sentimentos, estado de espirito, mudanças na forma de agir e pensar) e os critérios externos (titulo obtido, objetivos concretizados, relações asseguradas, inserção numa rede, etc.). Estes critérios vão permitir-te afirmares em “alto e bom som”:

«Consegui atingir o meu objetivo!».

 

O melhor é fixar critérios de avaliação que te vão permitir saber se atingiste o teu objetivo, mas também de saber se estás no bom caminho no decorrer da jornada.

É importante verificar regularmente que rumamos no bom sentido, que o nosso objetivo não mudou, ou simplesmente que ainda não o ultrapassámos. Coloca-te as seguintes questões:

  • Como posso saber que estou no bom caminho?
  • Como e quando vou avaliar o meu progresso no decorrer da jornada?
  • O que irá acontecer quando souber que atingi esta etapa do meu objetivo ou o objetivo na sua íntegra?

Toma o teu tempo para refletires sobre este aspeto, vai permitir-te traçar e corrigir o teu percurso, reajustar os teus esforços. Mas também manteres os teus níveis de motivação, constatando o progresso à medida que vais caminhando.

Isto vai ajudar-te a por vezes a voltares a clarificar o teu objetivo. Evitando assim perdas de tempo precioso.

É importante saber-se o que se quer, mas no entanto se não soubermos detetar os resultados, podemos errar durante muito tempo e sobretudo não percebermos em que ponto estamos. Já para não falar que, um objetivo atingido é uma fonte de inspiração formidável para a realização de outros objetivos, mesmo em diferentes áreas.

 

Para concluir

Este processo é simples e no entanto muito importante. Quanto mais tiveres os teus objetivos definidos, mais a concretização aumenta.

Assim como que, com objetivos bem claros a motivação é maior e resistente ao processo em si.

É igualmente importante e interessante, refletires nos recursos e competências que deves mobilizar para atingires os teus objetivos!

Atenção: Este artigo é uma ajuda, mas em última instância depende sempre de ti!

Há algo muito importante que nunca deves descorar:

És tu quem deve desenvolver as competências necessárias, para atingires os teus objetivos. E nunca! nunca deixes, de investir na tua formação e desenvolvimento!

 

Anexo

Podes utilizar esta lista para te ajudar na definição do teu objetivo:

1- Definir o objetivo.

O que quero ? Quando ?
Formular de forma positiva

 

2- O objetivo é exequível ?

Posso atingir o meu objetivo ?
Depende de mim ?

 

3- Quais os resultados esperados ?

O que obtenho quando cumprir o meu objetivo ?
O que me vai trazer ?
O que persigo de mais importante através do meu objetivo ?

 

4- A ecologia do objetivo.

Quais os meus aliados ?
A que devo renunciar ?
Quais as consequências positivas/negativas para mim e para os outros ?

 

5- Como medir os resultados ?

No decorrer do processo e no fim ?
Ao nível interno e esterno ?

 

6- Mobilizar recursos.

 
Consulta os elementos apontados durante a clarificação do objetivo, para assim poderes ver claramente de onde partiste e onde já chegaste.

Se chegaste até aqui só me resta agradecer-te por teres lido e desejar-te uma boa definição de objetivos 🙂

Forte Abraço!

Definir Um Objetivo (1/2)

Seja qual for a área da tua vida (trabalho, lazer, projeto de vida, etc…), assim que identificas que a tarefa a realizares é minimamente complexa, ou que o objectivo a longo prazo requer muita da tua energia, é necessário passar pela fase de clarificação do objetivo.

A ideia aqui é tomar consciência dos diferentes elementos e/ou obstáculos que podem vir a surgir no caminho que se vai percorrer até se atingir esse mesmo objetivo. Não vamos ainda passar à real planificação desse objetivo, mas sim à clarificação do mesmo e a perceber o que a sua realização implica.

 

Como fazer ?

 

 

Vamos proceder em 5 etapas que vou desenvolver seguindo este registo:

1- Definir o objetivo

2- Verificar a exequibilidade do objetivo

3- Quais os resultados esperados ?

4- A ecologia do objetivo

5- Como medir os resultados ?

 

Mesmo se representarmos as etapas de forma sequencial, na realidade vais provavelmente completá-las de forma simultânea.

O ideal será seguir a sequência proposta voltando atrás à medida que forem surgindo elementos complementares, ou se surgirem elementos contraditórios (entre o objetivo e o seu aspeto realizável por exemplo).
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 1. Definir o objetivo

 

Trata-se aqui simplesmente de formular o objetivo de forma clara e precisa. Mas atenção, mesmo que pareça simples, é sempre necessário um mínimo de reflexão. Esta vai ser a base sobre a qual vamos elaborar depois o plano de ação a seguir, que será objeto do próximo artigo.

 

A questão a colocar é então a seguinte: «O que quero eu ?». O ideal deve ser preciso. Uma vaga ideia («quero ser feliz», «quero ser profissionalmente bem sucedido», etc.) terá que ser definida e sub-dividida em vários objetivos. É igualmente importante contextualizar o objetivo: qual a data para o cumprir? qual o contexto (onde, com quem, etc.)? Estas circunstâncias são importantes e vão ajudar nas próximas etapas.

 

Por fim o objetivo deve ser formulado de forma positiva. Para dizer a verdade aqui devemos entrar num registo construtivo, não pode ser uma recusa ou a fuga a uma situação. Assim, um objetivo do género: «já não quero continuar a fazer este trabalho», não é construtivo nem positivo. A ideia aqui é questionar «o que poderei eu fazer em vez deste trabalho?», estudar o contexto necessário para a realização deste objetivo e datar a sua realização futura. Sem um objetivo bem definido irás verificar que é difícil trabalhar na etapas seguintes! 

 

 

2. Verificar a exequibilidade do objetivo

 

Ter um objetivo é bom, mas se é apenas uma ilusão ou algo impossível de atingir tecnicamente ou materialmente, não irás longe como é óbvio!

 

Por isso esta etapa é tão importante. No entanto não te desencorajes ao primeiro obstáculo! Retomemos o exemplo de alguém que quer mudar de profissão: esta pessoa pode dizer para si mesmo que é financeiramente impossível, sem mesmo explorar as suas circunstâncias, diferentes ajudas possíveis, etc. Este é o tipo de registo que pode retardar a data da realização do objetivo, mas isto não coloca em questão o facto deste ser exequível!

 

É necessário verificar se o objetivo previamente definido, é realizável tendo em conta todas as circunstancias (ligadas à própria pessoa e ao exterior) e no contexto económico, familiar, etc. No entanto tomamos em conta nesta etapa apenas os aspetos técnicos, não os emocionais (que serão abordados no ponto nº4). Vamos então inicialmente nos debruçar sobre o facto do objetivo ser realista em primeiro lugar e depois realizável.

 

Coloca-te esta questão: « Este objetivo depende de mim ? ». Se for verdade a 80%, continua interessante. Se no entanto este depende exclusivamente de uma decisão administrativa sob a qual não tens qualquer tipo de controlo, não será necessário elaborar mais acerca da questão.

 

 

3. Quais são os resultados esperados ?

 

Convido-te nesta etapa a responderes às seguintes questões:

 

  • Qual o resultado da realização deste objetivo ?
  • O que eu persigo de mais importante através deste objetivo ?
  • O que me trará ?
  • Atingir este meu objetivo resulta em novos objetivos ?

Para ficar simples, é necessário refletir às consequências da realização do objetivo (tanto sob o ponto de vista emocional, como acerca das consequências externas – sociais, materiais, organizacionais, familiares, etc.). Pode ser interessante fechares os olhos por alguns instantes e imaginares-te com o objetivo atingido. O que sentes ? O que te vem à mente ? Quais são então agora os teus novos objetivos, as tuas vontades ?
(Podes ver um artigo sobre a visualização positiva aqui)

 

Podes ler a última parte deste artigo AQUI

 

Forte Abraço!